Quem nos vê aqui falando de futebol tende a crer que somos um bando de fanáticas loucas. Uma grande mentira. Somos apaixonadas. Tem um texto de uma colabora que tenta explicar como podemos colocar um clube acima de paixões maiores como família, mas não sei se ainda tratei do assunto como gostaria. Por isso, as mal digitadas linhas a seguir. E falam apenas e exclusivamente de mim; da minha vida de apaixonada e aquelas coisas que soam até meio ébrias.
Gostar de futebol nunca foi algo que pudesse escolher. Não lembro de uma época da minha vida em que o futebol estivesse ausente. Oras, na casa pra onde fui onde nasci tinha meu avô: um flamenguista fervoroso que não perdia qualquer jogo do Flamengo ou do Brasil. Na casa de meus outros avós, a situação não era lá diferente: os dois completamente transtornados: ele americano, ela tricolor. Meus fins de semana sempre foram passados próximos a um rádio de pilha, escutando alguma transmissão. Diz a lenda familiar, que do alto dos meus 2 anos acompanhei, em 82, minha primeira Copa do Mundo. Comemorando os gols do Brasil feito gente grande.
Conforme o tempo passou e perdi uma das minhas grandes paixões: o avô americano. E veio a facilidade de cair de amores pelo Flamengo desde que tenho idade pra me lembrar. O futebol possibilitou isso, me mostrou que existe algo muito maior do que nós mesmos nesse mundo. O que jamais perecerá. Aquilo que nos mudará o humor como uma nova paixão arreebatadora, como uma perda na família. É um mundo novo e que te toma de assalto, te leva ao topo do universo e ao fundo do poço.
Não digo que dê sentido à vida, mas abre um leque imenso de possibilidades novas e, quando você se dá conta, está lá, craque da matemática, combinando resultados. Ás da vidência predizendo resultados. Um tremendo ressentido torcendo pela derrota do próximo. Tal e qual acontece quando amamos alguém de verdade: namorado, irmão, pai, filho.
Pelas braços do esporte bretão, me veio o Flamengo. Minha primeira paixão. E tal toda paixão, me decepciona, me alegra, enfim, me surpreende para o bem e para o mal. Mas não me falta. Quando tudo mais está ruim, o Flamengo vai lá, enfia uma goleada - ou ganha apertadinho - e parece que não tem mais nada de errado no meu mundo. É como encontrar o ser amado depois daquele dia em que tudo deu errado e o teu amor te sorri e te abraça e tudo fica longe. Assim são as vitórias do meu time pra mim. E suas glórias são como aqueles momentos bons de um relacionamento que a gente lembra pra sempre. E as vergonhas? Essas são aquelas brigas que esquecemos, porque assim são os amores: imperfeitamente perfeitos.
Morreríamos por nossos clubes da mesma maneira que daríamos a vida por um ente querido. Mas, da mesma forma que não criticamos os amores alheios, não transformamos os "outros" em inimigos mortais. Respeitamos a paixão deles como queremos que a nossa seja também digna de respeito e, por que não, admiração.
Somos apaixonadas e nossos clubes nos bastam. Eles estão acima de qualquer coisa que jamais entenderemos. Pois assim são as nossas maiores paixões: incompreesíveis e deliciosas. Cada uma à sua maneira.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Momento clubista
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Quando o mundo para
Domingo tem o clássico mais charmoso do futebol mundial. O ai-ZIZOU. Creio que estarei no Maior do Mundo, devidamente fardada e com bandeira em punho, pronta para todo o sofrimento.
Flamengo x Vasco é o maior de todos os clássicos, nenhuma dúvida, mas o FlaxFlu ainda dá aquela balançada no coração. Talvez seja 95 ainda entalado, talvez seja o inferno da teoria da freguesia, talvez seja o numero de estaduais igualado há pouco e ainda duvidoso. Não sei. Mas é Flamengo e vocês conhecem minha relação sem-vergonha, com time mais descarado ainda.
É bem provável que eu esteja lá. E é mais do que certo que sofrerei mais do que boi ladrão. Mas algumas coisas a gente não escolhe. Elas acontecem e nos tomam pela mão como se nossa vida dependesse disso. Assim é minha relação com as minhas paixões. Assim é minha relação com o Flamengo.
E mesmo quando penso em mudar de esporte, lá estão o vermelho e preto que guian meus suspiros e meus xingamentos. E apenas seguirei como encantada ao lado teu*...
*Trecho de Todo o Sentimento de Chico Buarque (oh, a ironia) e Cristovão Bastos.
Flamengo x Vasco é o maior de todos os clássicos, nenhuma dúvida, mas o FlaxFlu ainda dá aquela balançada no coração. Talvez seja 95 ainda entalado, talvez seja o inferno da teoria da freguesia, talvez seja o numero de estaduais igualado há pouco e ainda duvidoso. Não sei. Mas é Flamengo e vocês conhecem minha relação sem-vergonha, com time mais descarado ainda.
É bem provável que eu esteja lá. E é mais do que certo que sofrerei mais do que boi ladrão. Mas algumas coisas a gente não escolhe. Elas acontecem e nos tomam pela mão como se nossa vida dependesse disso. Assim é minha relação com as minhas paixões. Assim é minha relação com o Flamengo.
E mesmo quando penso em mudar de esporte, lá estão o vermelho e preto que guian meus suspiros e meus xingamentos. E apenas seguirei como encantada ao lado teu*...
*Trecho de Todo o Sentimento de Chico Buarque (oh, a ironia) e Cristovão Bastos.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Arquibancada de Futebol e Galhofa
Como a terça-feira está parada de notícias decentes ( o olho gordo da ex do Obina não conta), vou simplesmente discorrer sobre o hábito de ir a jogo dos outros e como isso pode ser benéfico.
Gosto de futebol. Lembro, ainda bem novinha quando via o campeonato amador aqui do Rio, lá em Paquetá. Todas as tardes que passei nas arquibancadas (licença poética) do Municipal Futebol Clube. O time era conhecido da galera: os meninos um pouco mais velhos e nossos tios. Era divertido. Uma vez, os Juniores do Flamengo foram lá e eu fiquei emocionada, sem saber pra quem torcer, porque meu avô jogava pelo Municipal e meu tio estava em campo naquele dia. Enfim, eram bons tempos que minha preocupação era passar de ano no terceiro bimestre e qual o show do próximo feriado.
Veio logo depois a época xiita, em que só existia o Flamengo. Ódio descontrolado por todos os outros clubes. Morram, miseráveis! Placar, radinho, dia de jogo era quase como um feriado pessoal: tensão, nervosismo, secação. Era um tormento pro coração, mas meu outro avô me acompanhava com o mesmo fervor. Coisa fina: amor passado de geração em geração. E eram tempos ruins pro Flamengo, aqueles. Como sofríamos. Mas construiu caráter.
Atualmente, estabeleci união estável com o rubro-negro da Gávea e vivemos assim. Sou a mulher, ele o Malandro e vivemos nessa sem-vergonhice gostosinha. Se de dia a gente briga, a noite a gente se ama. Mas nossas diferenças terminam nos títulos - mesmo de estadual -, quando a brutal euforia chuta todo e qualquer ressentimento. Começamos de novo, outro campeonato, outro comportamento. Descaração pura e simples.
Definido isso, vambora. Gosto de futebol e minha preferência é o Flamengo. Mas tem o futebol que é exatamente o que me levou até meu amor, logo o apreço pelo esporte bretão faz com que a gente cometa as maiores doideiras. Exemplo? Acho que em 2007 (confirma ae, Joam?) cheguei a ir em umas 2 partidas do Botafogo pela Copa do Brasil. Ingresso a 5 reais. Maracanão. Galhofa. Pô, tou dentríssimo! Foi divertido, porque quando o bumbo começa e a galera chama no Cepacol (te dedico, Franciel), fica mesmo díficil não acompanhar e aí é só nas palminhas.
Logo depois, fui ao Maraca na torcida visitante*, ali embaixo na antiga Geral. 300 corinthianos fazendo mais barulho do que a torcida tricolor. Não que seja novidade ou surpresa, mas foi legal estar no lugar do visitante, para variar. Acompanhando os gritos, as músicas, a empolgação.
Na última incursão, a torcida escolhida foi a do Vasco. Diferente do que pensei, não me senti mal em absoluto por estar lá fazendo festa com o Almirante. Foi divertido, até. Acabou o jogo, acabou meu papel como 'gritante e batedora de palmas'.
Até quando em viagem rápida, gosto de ir ao estádio, prestar os respeitos aos deuses do futebol. Foi assim com o Inter, com o Grêmio e, mais uma vez, o Corinthians. Beira Rio, Olímpico e Pacaembu. É legal chegar na casa dos outros, torcer aqueles 90 minutos e depois sair como se nada tivesse acontecido comigo. E, tirando a garganta um pouco maltrada e as palmas das mãos qualquer coisa de doloridas, nada acontece mesmo. Não é meu amor em campo.
É só um jogo e eu torço somente para que seja um bom jogo. Colocando as coisas em perspectiva, penso mesmo em ir a mais jogos dos outros. Meu coração agradece, meu creme anti-idade** também. E Flamengo certamente entende.
*Aliás, muito boa a história desse dia. Em poucas linhas, belo momento daquela discussão entre torcedores, as meninas de Laranjeiras puxaram um corinho de PI-RA-NHA PI-RA-NHA pra mim. Me senti o Garrincha.
** Não trabalho com reforma ortográfica.
Gosto de futebol. Lembro, ainda bem novinha quando via o campeonato amador aqui do Rio, lá em Paquetá. Todas as tardes que passei nas arquibancadas (licença poética) do Municipal Futebol Clube. O time era conhecido da galera: os meninos um pouco mais velhos e nossos tios. Era divertido. Uma vez, os Juniores do Flamengo foram lá e eu fiquei emocionada, sem saber pra quem torcer, porque meu avô jogava pelo Municipal e meu tio estava em campo naquele dia. Enfim, eram bons tempos que minha preocupação era passar de ano no terceiro bimestre e qual o show do próximo feriado.
Veio logo depois a época xiita, em que só existia o Flamengo. Ódio descontrolado por todos os outros clubes. Morram, miseráveis! Placar, radinho, dia de jogo era quase como um feriado pessoal: tensão, nervosismo, secação. Era um tormento pro coração, mas meu outro avô me acompanhava com o mesmo fervor. Coisa fina: amor passado de geração em geração. E eram tempos ruins pro Flamengo, aqueles. Como sofríamos. Mas construiu caráter.
Atualmente, estabeleci união estável com o rubro-negro da Gávea e vivemos assim. Sou a mulher, ele o Malandro e vivemos nessa sem-vergonhice gostosinha. Se de dia a gente briga, a noite a gente se ama. Mas nossas diferenças terminam nos títulos - mesmo de estadual -, quando a brutal euforia chuta todo e qualquer ressentimento. Começamos de novo, outro campeonato, outro comportamento. Descaração pura e simples.
Definido isso, vambora. Gosto de futebol e minha preferência é o Flamengo. Mas tem o futebol que é exatamente o que me levou até meu amor, logo o apreço pelo esporte bretão faz com que a gente cometa as maiores doideiras. Exemplo? Acho que em 2007 (confirma ae, Joam?) cheguei a ir em umas 2 partidas do Botafogo pela Copa do Brasil. Ingresso a 5 reais. Maracanão. Galhofa. Pô, tou dentríssimo! Foi divertido, porque quando o bumbo começa e a galera chama no Cepacol (te dedico, Franciel), fica mesmo díficil não acompanhar e aí é só nas palminhas.
Logo depois, fui ao Maraca na torcida visitante*, ali embaixo na antiga Geral. 300 corinthianos fazendo mais barulho do que a torcida tricolor. Não que seja novidade ou surpresa, mas foi legal estar no lugar do visitante, para variar. Acompanhando os gritos, as músicas, a empolgação.
Na última incursão, a torcida escolhida foi a do Vasco. Diferente do que pensei, não me senti mal em absoluto por estar lá fazendo festa com o Almirante. Foi divertido, até. Acabou o jogo, acabou meu papel como 'gritante e batedora de palmas'.
Até quando em viagem rápida, gosto de ir ao estádio, prestar os respeitos aos deuses do futebol. Foi assim com o Inter, com o Grêmio e, mais uma vez, o Corinthians. Beira Rio, Olímpico e Pacaembu. É legal chegar na casa dos outros, torcer aqueles 90 minutos e depois sair como se nada tivesse acontecido comigo. E, tirando a garganta um pouco maltrada e as palmas das mãos qualquer coisa de doloridas, nada acontece mesmo. Não é meu amor em campo.
É só um jogo e eu torço somente para que seja um bom jogo. Colocando as coisas em perspectiva, penso mesmo em ir a mais jogos dos outros. Meu coração agradece, meu creme anti-idade** também. E Flamengo certamente entende.
*Aliás, muito boa a história desse dia. Em poucas linhas, belo momento daquela discussão entre torcedores, as meninas de Laranjeiras puxaram um corinho de PI-RA-NHA PI-RA-NHA pra mim. Me senti o Garrincha.
** Não trabalho com reforma ortográfica.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Como tentei entrar no Conselho Deliberativo do Inter
Como acabou o futebol, vamos à questões importantes fora das quatro linhas, mas ainda relativas a paixão de nós todos. O texto abaixo trata de como tentar mudar o que incomoda é bem mais fácil do que a gente pensa.
*****
Eu não entendia. Do alto dos meus oito, nove, dez anos, não conseguia explicar porque o time que eu e toda minha família torcíamos não vencia nada, e eles, sim. Parecia injusto demais ver aquela gente vestida de azul comemorando e dizendo que eles já tinham de tudo, enquanto eu nunca tinha visto meu time vencer nada. Até que eu tomei a decisão fatal.
"Pai, um dia vou ser presidente do Inter."
"Tá, Francisco. Agora pega tua mochila e vamos pra aula."
Era mais ou menos assim que eu passava os dias nos idos de 1995, ano negro na história do futebol mundial. E, com o passar do tempo, a sensação de que ALGO deveria ser feito se tornava cada vez mais presente, mesmo que eu não soubesse muito bem como agir.
(Aqui, um corte de dez anos no tempo)
2005. Pela primeira vez, consegui um emprego em que eu ganhasse mais do que um mendigo que trabalha só nos finais de semana. E a primeira ação depois disso foi bastante óbvia: me associei ao Inter. Todo mês, trinta pilas saíam direto da minha conta para os cofres do Sport Club Internacional, garantindo meu espaço em qualquer jogo que eu conseguisse ir — e mantendo viva aquela esperança de, um dia, fazer a diferença pelo time que eu amo.
Pois chegou o momento. Neste sábado, 25 mil pessoas na minha situação vão escolher o novo presidente e 150 conselheiros pro clube. E eu sou um dos candidatos a entrar no Conselho Deliberativo, da forma mais inesperada e pitoresca possível: através de uma chapa formada exclusivamente por "gente da internet".
Explicando: como em qualquer clube, o CD do Inter é formado basicamente por
a) políticos querendo se promover
b) gente pública se aproveitando do nome para aparecer
c) amigos dos amigos
O problema é que falta uma categoria nessa relação: a dos torcedores. Incomodado com isso, tomei conhecimento, através de um blog, de uma chapa formada por gente que se conheceu através do orkut, de blogs de colorados, e que começou a freqüentar jogos juntos. Essa gente decidiu que quer fazer parte do clube, da mesma maneira que eu pensava quando tinha dez anos. E decidiram tirar a bunda da cadeira para fazer algo.
A partir daí, foi só trocar alguns emails, concordar em integrar a nominata para participar e pronto, estou inscrito. Sou o 47º de uma lista de 150 nomes, com chance próxima a 0,000001% de entrar no CD nesta eleição. Afinal, faço parte de um movimento pequeno, quase desconhecido, mas que está buscando seu espaço. Se conseguirmos colocar os 23 candidatos que a cláusula de barreira impõe como mínimo (15% dos votos), já será uma vitória imensa. E um primeiro passo para cumprir a meta tão solenemente estabelecida quando eu tinha 10 anos e nunca tinha vencido nada.
P.S.: O link para o site da chapa é http://interchapa3.com.br/. O blog que eu descobri a chapa, e onde grande parte se conheceu, é o http://bolavermelho.blogspot.com.
Francisco Luz tem 23 anos, é estudante de jornalismo colorado e fuma aquela bosta de L&M que ainda por cima é azul.
*****
Então, se você é colorado e associado, taí uma chance de começar a mudar.
*****
Eu não entendia. Do alto dos meus oito, nove, dez anos, não conseguia explicar porque o time que eu e toda minha família torcíamos não vencia nada, e eles, sim. Parecia injusto demais ver aquela gente vestida de azul comemorando e dizendo que eles já tinham de tudo, enquanto eu nunca tinha visto meu time vencer nada. Até que eu tomei a decisão fatal.
"Pai, um dia vou ser presidente do Inter."
"Tá, Francisco. Agora pega tua mochila e vamos pra aula."
Era mais ou menos assim que eu passava os dias nos idos de 1995, ano negro na história do futebol mundial. E, com o passar do tempo, a sensação de que ALGO deveria ser feito se tornava cada vez mais presente, mesmo que eu não soubesse muito bem como agir.
(Aqui, um corte de dez anos no tempo)
2005. Pela primeira vez, consegui um emprego em que eu ganhasse mais do que um mendigo que trabalha só nos finais de semana. E a primeira ação depois disso foi bastante óbvia: me associei ao Inter. Todo mês, trinta pilas saíam direto da minha conta para os cofres do Sport Club Internacional, garantindo meu espaço em qualquer jogo que eu conseguisse ir — e mantendo viva aquela esperança de, um dia, fazer a diferença pelo time que eu amo.
Pois chegou o momento. Neste sábado, 25 mil pessoas na minha situação vão escolher o novo presidente e 150 conselheiros pro clube. E eu sou um dos candidatos a entrar no Conselho Deliberativo, da forma mais inesperada e pitoresca possível: através de uma chapa formada exclusivamente por "gente da internet".
Explicando: como em qualquer clube, o CD do Inter é formado basicamente por
a) políticos querendo se promover
b) gente pública se aproveitando do nome para aparecer
c) amigos dos amigos
O problema é que falta uma categoria nessa relação: a dos torcedores. Incomodado com isso, tomei conhecimento, através de um blog, de uma chapa formada por gente que se conheceu através do orkut, de blogs de colorados, e que começou a freqüentar jogos juntos. Essa gente decidiu que quer fazer parte do clube, da mesma maneira que eu pensava quando tinha dez anos. E decidiram tirar a bunda da cadeira para fazer algo.
A partir daí, foi só trocar alguns emails, concordar em integrar a nominata para participar e pronto, estou inscrito. Sou o 47º de uma lista de 150 nomes, com chance próxima a 0,000001% de entrar no CD nesta eleição. Afinal, faço parte de um movimento pequeno, quase desconhecido, mas que está buscando seu espaço. Se conseguirmos colocar os 23 candidatos que a cláusula de barreira impõe como mínimo (15% dos votos), já será uma vitória imensa. E um primeiro passo para cumprir a meta tão solenemente estabelecida quando eu tinha 10 anos e nunca tinha vencido nada.
P.S.: O link para o site da chapa é http://interchapa3.com.br/. O blog que eu descobri a chapa, e onde grande parte se conheceu, é o http://bolavermelho.blogspot.com.
Francisco Luz tem 23 anos, é estudante de jornalismo colorado e fuma aquela bosta de L&M que ainda por cima é azul.
*****
Então, se você é colorado e associado, taí uma chance de começar a mudar.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Os porquês do futebol
O texto abaixo é colaboração da amiga do blógue, doente por futebol e que tenta, mais uma vez, explicar toda a nosssa paixão e devoção.
Eu já tentei entender, sem sucesso. É apenas um escudo. São apenas cores. Onze jogadores correndo atrás da bola em nome de uma instituição que nada tem a ver comigo e pode ruir a qualquer momento.
Mesmo assim, minha paixão por futebol é maior que qualquer outra que eu tenha ou já tenha tido. Eu acompanho os resultados do meu time. Eu verifico o resultado dos outros times que influenciam no meu. Eu torço contra os times de que não gosto. Eu visto pelo menos uma cor do meu time todos os dias e só uso a cor do maior adversário se perdi alguma aposta.
Vitórias me deixam mais feliz que um aumento salarial. Derrotas são quase como perder o emprego e me dão vergonha de sair na rua. Já faltei ao trabalho por conta de derrotas do meu time. Com um pequeno detalhe: sou mulher.
Já disse Diogo Mainardi: “O futebol é irrelevante”. Sob a ótica estritamente racional, ele tem toda a razão. Afinal, sem incluir a paixão do torcedor, o que é um clube de futebol senão uma instituição como outra qualquer? Que contrata, demite, paga salários e tem que gerar resultado? A diferença aqui é que o resultado das empresas é o dinheiro; o dos clubes, as vitórias – o dinheiro é conseqüência. Um clube pobre em faturamento, que vença muito é mais popular e visto como mais bem-sucedido que um clube milionário que não vence com freqüência. Então entra o outro ponto: ninguém torce para uma empresa ganhar dinheiro, a não ser que tenha ações. Eu por acaso tenho ações do meu clube??
Meu Clube! Que sentimento irracional de posse! Algo quase tão obtuso quanto “meu marido”. Meu marido tem nome, meu clube também. E nenhum dos dois é inteiramente – se o é em alguma medida – meu.
Mesmo assim, me vejo dona. Eu e toda a torcida. Meu clube, meu estádio, meus jogadores. Muito mais meus que o meu marido. Afinal, de marido eu troco; de time, jamais.
E isso é outra coisa que não tem razão de ser. Eu amo meu marido. Ele faz tudo por mim, somos felizes juntos. O que meu time faz por mim? Por mim, efetivamente? NADA! E eu trocaria de marido, mas não de time? Insano.
Para tentar entender essa dicotomia – amo algo que não é nada e nada faz por mim mais que qualquer outra coisa – recorro ao mestre Nélson Rodrigues, que não gostava de futebol, diga-se de passagem.
Se bem que... não, é melhor não. Como vou usar como exemplo uma pessoa que não só não gostava de futebol, bem como o enxergava como um pano de fundo para o que é realmente importante? O futebol não é pano de fundo, é ator principal. A batalha campal que é o futebol; o bem contra o mal arbitrado por um ser todo-poderoso (o árbitro) é uma linda representação da vida.
O Ser todo-poderoso na vida, assim como o árbitro no futebol, muitas vezes é injusto conosco – na nossa visão, claro. Aplica punições desnecessárias, premia injustamente, tem seus preferidos, é parcial. Como na vida, a regra é clara, mas carece de interpretação; e cada um interpreta como lhe convém.
No futebol, o bem luta contra o mal e nem sempre o mocinho vence, assim como no mundo real. É muitas vezes difícil entender qual é o lado bom – no meu caso, é sempre o meu time – e qual é o lado mau, para se ter certeza de quem venceu quem. E quando empata? Quem venceu?
Já entendi. O futebol é uma arte e a arte imita a vida (chavão básico). Mas no que isso explica tamanha paixão por algo que não faz nada por mim, não me gera nenhum valor, só me faz gastar dinheiro e não só não me ama de volta como nem sabe quem eu sou?
Uma parte da explicação pode estar no amor idealizado, platônico. Eu posso chegar perto dos jogadores, comprar produtos do time, ser sócia do clube, mas o clube nunca será meu; assim como aquele carinha inatingível da minha adolescência em quem eu penso até hoje. Ah, se eu tivesse casado com ele... tudo seria diferente? Melhor? Pior? Essa é a mágica do platonismo. Não há como saber, então só nos resta imaginar; e a imaginação pode tudo!
Eu não troco meu amor platônico por um amor materializado. O amor real pode dar errado; o platônico sempre dá certo. Não há motivos para brigas, desentendimentos, problemas relacionais, já que a via é de mão única. Então, a paixão nunca morre e todos são felizes para sempre.
Muitas vezes, a identificação com um determinado time tem explicações históricas, familiares, sociais. Uma família de origem portuguesa, por exemplo, torceria pelo time de mesma origem. Não é o meu caso. Minha família é dividida; torço pelo time do meu pai, mas o primeiro emprego da minha mãe foi no arquiinimigo. Meu time é elitista, alemão, de direita e já foi muito racista. Sou trabalhadora, italiana, de esquerda e sempre fui aberta. Em suma, eu deveria ser do outro lado. Mas o amor é assim mesmo... quanto menos se entende, mais se ama.
A conclusão lógica é que não existe conclusão lógica. O cérebro tem dois lados e as escolhas futebolísticas parecem ser definidas pelo lado direito, sem qualquer participação do esquerdo. Nessa hora, lembro de um professor que disse “Quando temos uma intuição, normalmente estamos certos. Isso porque a intuição é fruto do lado direito do cérebro, que faz um milhão de sinapses por segundo. O esquerdo faz quarenta mil. Se a intuição for oposta à lógica, fique com a intuição”. Meu time foi escolhido pelo lado direito; não adianta o esquerdo entrar na jogada. Enquanto o racional tenta me convencer quarenta mil vezes a trocar de time, a intuição me prova um milhão de vezes que estou bem onde estou.
Annie Fim tem 30 anos, gaúcha, mora e trabalha no Rio de Janeiro e alenta de longe o Grêmio, Imortal Tricolor
Eu já tentei entender, sem sucesso. É apenas um escudo. São apenas cores. Onze jogadores correndo atrás da bola em nome de uma instituição que nada tem a ver comigo e pode ruir a qualquer momento.
Mesmo assim, minha paixão por futebol é maior que qualquer outra que eu tenha ou já tenha tido. Eu acompanho os resultados do meu time. Eu verifico o resultado dos outros times que influenciam no meu. Eu torço contra os times de que não gosto. Eu visto pelo menos uma cor do meu time todos os dias e só uso a cor do maior adversário se perdi alguma aposta.
Vitórias me deixam mais feliz que um aumento salarial. Derrotas são quase como perder o emprego e me dão vergonha de sair na rua. Já faltei ao trabalho por conta de derrotas do meu time. Com um pequeno detalhe: sou mulher.
Já disse Diogo Mainardi: “O futebol é irrelevante”. Sob a ótica estritamente racional, ele tem toda a razão. Afinal, sem incluir a paixão do torcedor, o que é um clube de futebol senão uma instituição como outra qualquer? Que contrata, demite, paga salários e tem que gerar resultado? A diferença aqui é que o resultado das empresas é o dinheiro; o dos clubes, as vitórias – o dinheiro é conseqüência. Um clube pobre em faturamento, que vença muito é mais popular e visto como mais bem-sucedido que um clube milionário que não vence com freqüência. Então entra o outro ponto: ninguém torce para uma empresa ganhar dinheiro, a não ser que tenha ações. Eu por acaso tenho ações do meu clube??
Meu Clube! Que sentimento irracional de posse! Algo quase tão obtuso quanto “meu marido”. Meu marido tem nome, meu clube também. E nenhum dos dois é inteiramente – se o é em alguma medida – meu.
Mesmo assim, me vejo dona. Eu e toda a torcida. Meu clube, meu estádio, meus jogadores. Muito mais meus que o meu marido. Afinal, de marido eu troco; de time, jamais.
E isso é outra coisa que não tem razão de ser. Eu amo meu marido. Ele faz tudo por mim, somos felizes juntos. O que meu time faz por mim? Por mim, efetivamente? NADA! E eu trocaria de marido, mas não de time? Insano.
Para tentar entender essa dicotomia – amo algo que não é nada e nada faz por mim mais que qualquer outra coisa – recorro ao mestre Nélson Rodrigues, que não gostava de futebol, diga-se de passagem.
Se bem que... não, é melhor não. Como vou usar como exemplo uma pessoa que não só não gostava de futebol, bem como o enxergava como um pano de fundo para o que é realmente importante? O futebol não é pano de fundo, é ator principal. A batalha campal que é o futebol; o bem contra o mal arbitrado por um ser todo-poderoso (o árbitro) é uma linda representação da vida.
O Ser todo-poderoso na vida, assim como o árbitro no futebol, muitas vezes é injusto conosco – na nossa visão, claro. Aplica punições desnecessárias, premia injustamente, tem seus preferidos, é parcial. Como na vida, a regra é clara, mas carece de interpretação; e cada um interpreta como lhe convém.
No futebol, o bem luta contra o mal e nem sempre o mocinho vence, assim como no mundo real. É muitas vezes difícil entender qual é o lado bom – no meu caso, é sempre o meu time – e qual é o lado mau, para se ter certeza de quem venceu quem. E quando empata? Quem venceu?
Já entendi. O futebol é uma arte e a arte imita a vida (chavão básico). Mas no que isso explica tamanha paixão por algo que não faz nada por mim, não me gera nenhum valor, só me faz gastar dinheiro e não só não me ama de volta como nem sabe quem eu sou?
Uma parte da explicação pode estar no amor idealizado, platônico. Eu posso chegar perto dos jogadores, comprar produtos do time, ser sócia do clube, mas o clube nunca será meu; assim como aquele carinha inatingível da minha adolescência em quem eu penso até hoje. Ah, se eu tivesse casado com ele... tudo seria diferente? Melhor? Pior? Essa é a mágica do platonismo. Não há como saber, então só nos resta imaginar; e a imaginação pode tudo!
Eu não troco meu amor platônico por um amor materializado. O amor real pode dar errado; o platônico sempre dá certo. Não há motivos para brigas, desentendimentos, problemas relacionais, já que a via é de mão única. Então, a paixão nunca morre e todos são felizes para sempre.
Muitas vezes, a identificação com um determinado time tem explicações históricas, familiares, sociais. Uma família de origem portuguesa, por exemplo, torceria pelo time de mesma origem. Não é o meu caso. Minha família é dividida; torço pelo time do meu pai, mas o primeiro emprego da minha mãe foi no arquiinimigo. Meu time é elitista, alemão, de direita e já foi muito racista. Sou trabalhadora, italiana, de esquerda e sempre fui aberta. Em suma, eu deveria ser do outro lado. Mas o amor é assim mesmo... quanto menos se entende, mais se ama.
A conclusão lógica é que não existe conclusão lógica. O cérebro tem dois lados e as escolhas futebolísticas parecem ser definidas pelo lado direito, sem qualquer participação do esquerdo. Nessa hora, lembro de um professor que disse “Quando temos uma intuição, normalmente estamos certos. Isso porque a intuição é fruto do lado direito do cérebro, que faz um milhão de sinapses por segundo. O esquerdo faz quarenta mil. Se a intuição for oposta à lógica, fique com a intuição”. Meu time foi escolhido pelo lado direito; não adianta o esquerdo entrar na jogada. Enquanto o racional tenta me convencer quarenta mil vezes a trocar de time, a intuição me prova um milhão de vezes que estou bem onde estou.
Annie Fim tem 30 anos, gaúcha, mora e trabalha no Rio de Janeiro e alenta de longe o Grêmio, Imortal Tricolor
terça-feira, 22 de julho de 2008
E essa taça vamos conquistar
Aproveitando o momento esquisito que o Flamengo passa - vindo de duas derrotas consecutivas e outras paradas ainda absurdas - amigo do blógue e flamenguista saudável como essa que vos escreve mandou uma contribuição tentando explicar um pouco de nossa empáfia em vermelho e preto. Segue:
Exílio
Eu sou um Trotsky do futebol. Por amor a uma mulher – uma causa muito melhor do que comunismo – me desloquei a Recife, a 2000 quilômetros das minhas outras paixões: Chopp Ruivo, Biscoito Globo e o Maracanã em dia de jogo do Flamengo. Uma coisa comum para qualquer mortal, um drama para um futebolista convicto.
Filho de pai estrangeiro apaixonado pelo Flamengo, com uma carreira de garoto maroto travesso ¹ interrompida no Olaria por uma miopia incorrigível – pelo menos parei mais no auge que o Tostão. Afinal, nunca me ameaçaram de virar Stevie Wonder - me restava a arquibancada, um papel que sempre cumpri com ardor.
Não me lembro com carinho de jogos fantásticos e dramáticos citados pelo mainstream. Gol do Pet aos 43 do segundo tempo? Tá, foi maravilhoso, mas não supera Leandro Piu-Piu virando um Olaria x Flamengo pra 3x2, na Bariri lotada, com aquele inebriante cheiro de futum, aos 30 do segundo tempo, quando estávamos perdendo por 2x0. Isso é futebol, os jogos esquecidos e dramáticos são quase como os lados B dos Beatles.
Direto do túnel do tempo, minha primeira vez no Maraca foi em 1987, Flamengo 3 x 1 Santa Cruz, com direito a hat-trick de Zico, inspirador do meu nome (diz meu pai. Minha mãe fala aquelas coisas de Távola Redonda, o que obviamente é uma falácia. Afinal, Rei Arthur era corno², uma coisa que nunca fui – pelo menos nunca soube, pra que me desiludir?)
Depois deste jogo, foram centenas de vezes saindo rouco e vendo grandes jogos – e poucas decepções – no maior estádio do Mundo. Nunca vi meu time perder pro Vasco no estádio – hoje parece fácil, mas quando eu era moleque não era um jogo ganho, acredite – e vi viradas sensacionais – Mercosul 1999, adeus, porco, por exemplo.
Ao chegar em Pernambuco, após uma adaptação difícil, consigo praticamente sobreviver sem chorar numa novela de Manoel Carlos, o biscoito Globo eu substituí pelo bolo de rolo - e me dei bem na troca – e o chopp da Brahma virou artigo de raridade compensado com a Bohemia mais barata.
Mas o Flamengo? Como substituir o Flamengo? Não dá. Aqui há 3 clubes de peso. O Sport, o Náutico e o Santa Cruz. A TV daqui passa jogos destes times. É lindo, pro povo daqui. Mas me resta apenas a internet, ou uma Sky aleatória para ver o verdadeiro rubro-negro em ação – o resto, perdoem-me torcedores do Sport, Vitória, Atlético –PR e Campinense, entre outros, é tudo vermelho e preto. Rubro-negros, só nós.
Eles acham que a Ilha do Retiro é a ilha de Lost. Eles não sabem o que é o Maracanã tremendo com 70.000 pessoas gritando e pulando. A Ilha é um lindo estádio, fato. Mas transformar o maior do mundo em alçapão não é pra qualquer um. Se o Flamengo fosse uma banda, seria o Kiss. Nem sempre lança os melhores discos, quase nunca vai pro topo das paradas, mas um show do Kiss é imperdível. Se o Flamengo fosse sediado em Hiroshima, ele teria renascido sozinho após a bomba atômica, e ainda teriam renascido 15.000 torcedores cantando “ôoooo, Bomba de novo”. É inexplicável. Absolutamente parcial, indescritível e inexplicável.
Nós somos odiados pelos outros. Só que, ao contrário de outros times odiados, nosso ódio vem acompanhado do temor. Eles temem a gente, sempre temeram. O citado Sport estava invicto há 8 meses na “Ilha de Lost”. Quem foi lá comer o urso polar? Pois é, nós. Não é que nós nos achemos os melhores. Isso é coisa de vascaíno ou são-paulino, essa coisa Hitleriana de “time superior”. Nós somos os Stalins dos gramados. Quando não tem mais jeito, a gente vai lá e ganha. E se não serve pra jogar no nosso time, a gente manda pra um gulag tipo Botafogo ou América de Natal. Isso é ser Flamengo, com todos os defeitos, virtudes, agruras e honras que isso possa ter.
E quanto a mim, fico aqui nas quartas à noite, entretido com o Sport, o Salgueiro, o Náutico, o Santa Cruz, cruzando os dedos pro Mengão estar ganhando, ligando o online do Globo Esporte, e acordado pra ver os gols no Jornal da Globo. Um dia eu compro a Sky. Enquanto isso, continuo exilado. Um Trotsky do futebol.
Arthur Chrispin, 30. Advogado, músico, rubro-negro, marido da Érika, padrasto da Íris, que jamais gritará Cazá e que adora o futebol, chopp, mulher, família e história contemporânea, não necessariamente nesta ordem.
_______
¹ música da Alcione
² Marion Zimmer Bradley que me contou. E yo no creo en brujas...
Exílio
Eu sou um Trotsky do futebol. Por amor a uma mulher – uma causa muito melhor do que comunismo – me desloquei a Recife, a 2000 quilômetros das minhas outras paixões: Chopp Ruivo, Biscoito Globo e o Maracanã em dia de jogo do Flamengo. Uma coisa comum para qualquer mortal, um drama para um futebolista convicto.
Filho de pai estrangeiro apaixonado pelo Flamengo, com uma carreira de garoto maroto travesso ¹ interrompida no Olaria por uma miopia incorrigível – pelo menos parei mais no auge que o Tostão. Afinal, nunca me ameaçaram de virar Stevie Wonder - me restava a arquibancada, um papel que sempre cumpri com ardor.
Não me lembro com carinho de jogos fantásticos e dramáticos citados pelo mainstream. Gol do Pet aos 43 do segundo tempo? Tá, foi maravilhoso, mas não supera Leandro Piu-Piu virando um Olaria x Flamengo pra 3x2, na Bariri lotada, com aquele inebriante cheiro de futum, aos 30 do segundo tempo, quando estávamos perdendo por 2x0. Isso é futebol, os jogos esquecidos e dramáticos são quase como os lados B dos Beatles.
Direto do túnel do tempo, minha primeira vez no Maraca foi em 1987, Flamengo 3 x 1 Santa Cruz, com direito a hat-trick de Zico, inspirador do meu nome (diz meu pai. Minha mãe fala aquelas coisas de Távola Redonda, o que obviamente é uma falácia. Afinal, Rei Arthur era corno², uma coisa que nunca fui – pelo menos nunca soube, pra que me desiludir?)
Depois deste jogo, foram centenas de vezes saindo rouco e vendo grandes jogos – e poucas decepções – no maior estádio do Mundo. Nunca vi meu time perder pro Vasco no estádio – hoje parece fácil, mas quando eu era moleque não era um jogo ganho, acredite – e vi viradas sensacionais – Mercosul 1999, adeus, porco, por exemplo.
Ao chegar em Pernambuco, após uma adaptação difícil, consigo praticamente sobreviver sem chorar numa novela de Manoel Carlos, o biscoito Globo eu substituí pelo bolo de rolo - e me dei bem na troca – e o chopp da Brahma virou artigo de raridade compensado com a Bohemia mais barata.
Mas o Flamengo? Como substituir o Flamengo? Não dá. Aqui há 3 clubes de peso. O Sport, o Náutico e o Santa Cruz. A TV daqui passa jogos destes times. É lindo, pro povo daqui. Mas me resta apenas a internet, ou uma Sky aleatória para ver o verdadeiro rubro-negro em ação – o resto, perdoem-me torcedores do Sport, Vitória, Atlético –PR e Campinense, entre outros, é tudo vermelho e preto. Rubro-negros, só nós.
Eles acham que a Ilha do Retiro é a ilha de Lost. Eles não sabem o que é o Maracanã tremendo com 70.000 pessoas gritando e pulando. A Ilha é um lindo estádio, fato. Mas transformar o maior do mundo em alçapão não é pra qualquer um. Se o Flamengo fosse uma banda, seria o Kiss. Nem sempre lança os melhores discos, quase nunca vai pro topo das paradas, mas um show do Kiss é imperdível. Se o Flamengo fosse sediado em Hiroshima, ele teria renascido sozinho após a bomba atômica, e ainda teriam renascido 15.000 torcedores cantando “ôoooo, Bomba de novo”. É inexplicável. Absolutamente parcial, indescritível e inexplicável.
Nós somos odiados pelos outros. Só que, ao contrário de outros times odiados, nosso ódio vem acompanhado do temor. Eles temem a gente, sempre temeram. O citado Sport estava invicto há 8 meses na “Ilha de Lost”. Quem foi lá comer o urso polar? Pois é, nós. Não é que nós nos achemos os melhores. Isso é coisa de vascaíno ou são-paulino, essa coisa Hitleriana de “time superior”. Nós somos os Stalins dos gramados. Quando não tem mais jeito, a gente vai lá e ganha. E se não serve pra jogar no nosso time, a gente manda pra um gulag tipo Botafogo ou América de Natal. Isso é ser Flamengo, com todos os defeitos, virtudes, agruras e honras que isso possa ter.
E quanto a mim, fico aqui nas quartas à noite, entretido com o Sport, o Salgueiro, o Náutico, o Santa Cruz, cruzando os dedos pro Mengão estar ganhando, ligando o online do Globo Esporte, e acordado pra ver os gols no Jornal da Globo. Um dia eu compro a Sky. Enquanto isso, continuo exilado. Um Trotsky do futebol.
Arthur Chrispin, 30. Advogado, músico, rubro-negro, marido da Érika, padrasto da Íris, que jamais gritará Cazá e que adora o futebol, chopp, mulher, família e história contemporânea, não necessariamente nesta ordem.
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¹ música da Alcione
² Marion Zimmer Bradley que me contou. E yo no creo en brujas...
sexta-feira, 20 de junho de 2008
A mais importante das menos importantes coisas
Há algum tempo, escrevi sobre ser mulher e gostar de futebol. De como é dura a vida de uma moça que realmente tem a paixão no sangue. E não é somente porque existem as muitas namoradas-participativas, mas também se deve ao enraizado conceito de que futebol é coisa de homem. Voley é esporte de menina. Nado sincronizado. Ginástica olímpica. Equitação. Sei lá, mas futebol não é. Ou não era, afinal só aqui temos 12 moças apaixonadas.
Ainda somos olhadas com com um misto de desconfiança aberta e admiração velada. Afinal, não é da natureza social que se encare com normalidade uma mesa com 4, 5 mulheres que só tiram o olho do jogo pra pedir mais uma cerveja ao garçom. Mulheres relativamente silenciosas se o jogo está pegado e que fazem as mais absurdas piadas futebolísticas quando era melhor estar acompanhando o campeonato do Aterro. Daquelas que ebravejam e xingam e chegam até a falar qualquer coisa mais grosso, porque, na boua, era melhor mesmo ter posto um cone no lugar do lateral e essa merda desse atacante tem mais é que colocar a porra do pé na forma. Os homens presentes se dividem entres os encantados, os admirados e os que se sentem ameaçados. Os dois primeiros grupos são os que tentam aproximação, nem que seja porque conversar de futebol com mulher é algo novo; o último grupo sente a necessidade de marcar território e que o conhecimento deles é obviamente maior. Tolinhos, deveriam sentar e conversar. Não estamos aqui para roubar o terreno de vocês, viemos torcer.
Torcer e apreciar os jogadores, porque somos humanas. E porque eles trabalham para um corpo definido sem a chateação do tanquinho, do bração, da envergadura e dessas outras coisas "fisiculturistas", nós podemos - mais do que isso, devemos - admirar um trabalho bem feito. Porque se o Flamengo não anda jogando muita bola, pelo menos, Fabio Luciano e seu metro e noventa e quatro me alegram bastante a tarde. Se o Corinthians está na segunda divisão, tem Herrera com seu jeito meio louco e burro* e seu pastor alemão invocado**. E tem Ballack e Van Nistelrooy e Palermo e Agüero e Heinze e mais um monte de delicinhas espalhadas pelo mundo.
Afinal, mulheres que gostam de futebol unem paixão (com todos os seus prós e contras) e razão, fazendo de uma simples partida de futebol um evento social que mistura a ancestral arte do falar do alheio; a admiração pelo esporte; e uma certa dose de sapequice na espiada descomprimissada.
*Copyright by Bel
**Pastor alemão é a expressão familiar para bunda
Ainda somos olhadas com com um misto de desconfiança aberta e admiração velada. Afinal, não é da natureza social que se encare com normalidade uma mesa com 4, 5 mulheres que só tiram o olho do jogo pra pedir mais uma cerveja ao garçom. Mulheres relativamente silenciosas se o jogo está pegado e que fazem as mais absurdas piadas futebolísticas quando era melhor estar acompanhando o campeonato do Aterro. Daquelas que ebravejam e xingam e chegam até a falar qualquer coisa mais grosso, porque, na boua, era melhor mesmo ter posto um cone no lugar do lateral e essa merda desse atacante tem mais é que colocar a porra do pé na forma. Os homens presentes se dividem entres os encantados, os admirados e os que se sentem ameaçados. Os dois primeiros grupos são os que tentam aproximação, nem que seja porque conversar de futebol com mulher é algo novo; o último grupo sente a necessidade de marcar território e que o conhecimento deles é obviamente maior. Tolinhos, deveriam sentar e conversar. Não estamos aqui para roubar o terreno de vocês, viemos torcer.
Torcer e apreciar os jogadores, porque somos humanas. E porque eles trabalham para um corpo definido sem a chateação do tanquinho, do bração, da envergadura e dessas outras coisas "fisiculturistas", nós podemos - mais do que isso, devemos - admirar um trabalho bem feito. Porque se o Flamengo não anda jogando muita bola, pelo menos, Fabio Luciano e seu metro e noventa e quatro me alegram bastante a tarde. Se o Corinthians está na segunda divisão, tem Herrera com seu jeito meio louco e burro* e seu pastor alemão invocado**. E tem Ballack e Van Nistelrooy e Palermo e Agüero e Heinze e mais um monte de delicinhas espalhadas pelo mundo.
Afinal, mulheres que gostam de futebol unem paixão (com todos os seus prós e contras) e razão, fazendo de uma simples partida de futebol um evento social que mistura a ancestral arte do falar do alheio; a admiração pelo esporte; e uma certa dose de sapequice na espiada descomprimissada.
*Copyright by Bel
**Pastor alemão é a expressão familiar para bunda
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Até morrer
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
América RJ

Opa, tenho que fazer um post de apresentação e tal, mas não quero exatamente me apresentar só e sim falar da minha relação com o América RJ, que foi aonde tudo começou mesmo.
Então eu sou a Beta (B), São Paulina de carteirinha (mesmo!), amo ir ao morumbi embaixo de sol ou de chuva, mas mais que torcer pelo time gosto mesmo é de assistir qualquer partida na TV e pedir pro namorado pegar uma cerveja pra mim ;)
Tudo começou com uma inquietação que eu tinha quando eu morava no Rio: eu não conseguia torcer para nenhum time. Quando eu era pequena falava que era tricolor (fluminense), mas nunca me empolguei, tentei torcer pro botafogo também uma época (minha mãe é botafoguense), e nada. O Flamengo, bom, meus primos são flamenguistas e a rixa entre primos foi algo cultivado com muito amor na minha família. O Vasco nem cogitei porque pfff... é o Vasco, né? Enfim, nenhum acendeu aquela faísca, sabe? Então um dia eu estava procurando lugar para fazer natação, e me deparei com a seguinte descrição no site da torcida do América-RJ:
"...Isso sim é ser TORCEDOR DO AMÉRICA, não torcer pro time só pro futebol e só quando ganha, esse tipo de torcedor não merece respeito. É poder ir pro estádio e comemorar cada jogo como a final, é soltar fogos, fumaça, é gritar SANGUE, SANGUE! É cantar o hino pra comemorar nos minutos finais do jogo, é ficar xingando o juiz que não acaba logo a partida, é ficar no estacionamento esperando a saída dos jogadores pra dar os parabéns ou apenas pra dar um apoio, que da próxima vez vai ser melhor. Ser torcedor é isso, é gritar, é comemorar, é conhecer e acompanhar o clube nas vitórias e derrotas em todas as suas modalidades. Eu realmente não conheço torcedores tão apaixonados quanto os torcedores do América, conheço torcedores obcecados, que gostam, que acompanham, mas igual aos do América, NUNCA!!! É por isso que hei de torcer até morrer!!! Nós ainda queremos muito mais, America unido vencerás!!!!" BarbieAFC
Destaque máximo para "esperando a saída dos jogadores pra dar os parabéns ou apenas pra dar um apoio, que da próxima vez vai ser melhor". Pronto! Isso sim é que é ser roxo ! É isso que penso do futebol e é assim que eu quero torcer!! Não torço pelo melhor, torço pela paixão. E se acontecer dele ser o melhor, bom, fico feliz. A partir daí virei América, comprei camiseta, bottom e fiquei esperando ansiosamente um jogo com bandeirinha na mão, mas infelizmente o América logo foi desclassificado. Me mudei para São Paulo no meio do ano e de cara amei o São Paulo, mas guardo a frustração de ainda não ter ido em um jogo do América e sempre que vou ao Rio fico de olho na tabela de jogos para ver se pego um.
Agora o resto da história eu vou contando em um post aqui outro ali para não perder o mistério. ;)
Olá, meu nome é Ted Ruxpin
Sou gata e faço poseMuito prazer, Lilaise - ou Lila -, 28 anos, flamenguista apaixonada (oi, doentes são os outros) e, não, não sou a moça da foto, mas achei válido postá-la, já que é bem mais gata. Futebol e Flamengo, nem de longe, foram minhas primeiras paixões, mas são, certamente, as mais violentas, arrebatadoras e duradouras. Porque eu tenho certeza de que jamais deixarei de ser verdadeiramente apaixonada pelas 2 coisas.
Futebol e Flamengo sempre estiveram na minha vida - e o América-RJ em menor proporção, mas ainda rola um carinho bem grande. No princípio era aquela coisa que o povo de casa gosta e a evolução disso pra paixão não sei exatamente quando aconteceu, acho que foi na Copa de 90. Mais ou menos quando a gente começa a entender essas coisas de gostar de verdade. E o Flamengo sempre esteve ali, meio que esperando que me apaixonasse perdidamente por ele, só pra abrir seus braços e me aconchegar entre a Nação. Na época foi uma escolha fácil e demorou até que eu entendesse o quanto de sofrimento torcer implica, ainda pra um time onde o meio termo é bem díficil de ser achado.
Ame-o ou deixe-o. E continuo amando. E pra sempre amarei. E sempre que puder, onde ele estiver estarei. O meu Mengão.
Algumas vezes, costumo comparar a paixão por um time a um casamento longo: a gente briga, se desentende, fica até afastado um tempo, mas a verdade é nunca vai se separar mesmo. Porque quando a paixão rouba os sentidos e as alegrias e tristezas do clube passam a ser as nossas, só a morte mesmo separa. Acredito que por esse motivo os hinos de América-RJ e Flamengo falam tanto pra mim. Definitivamente, hei de torcer até morrer e teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo.
Mais uma vez, bem vindos. Sintam-se a vontade. E querendo falar conosco: chuteiraeminisaia@gmail.com
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